Área de Proteção Ambiental do Arquipélago de São Pedro e São Paulo
O Arquipélago de São Pedro e São Paulo constitui a parte emersa da Dorsal Mesoatlântica, formada por um grupo de diminutas ilhas e ilhotas rochosas de origem plutônica, com cerca de 400 m de extensão e 18 m de altitude, constituindo-se um dos menores e mais isolados conjuntos insulares do mundo (Darwin, 1846; Tilley, 1947; Melson et al., 1972; Viana et al., 2009). Sua relevância científica reflete-se nas informações coletadas desde as pioneiras expedições que desembarcaram no local, como as do HMS Beagle e HMS Challenger, no Século XIX (Darwin, 1846; Sollas, 1888), sendo realçada na década de 1980, a partir dos resultados da Cambridge Expedition (1979), que empregou mergulho científico nas amostragens (Edwards & Lubbock, 1983ab). Darwin registrou a ausência de plantas terrestres ou mesmo líquens nas ilhas, enfatizando o uso das algas marinhas como elemento fundamental de construção dos ninhos das aves de pequeno porte. Ele relatou também a importância dos inúmeros tipos de macroalgas marinhas e animais contribuindo para propiciar a presença de um grande número de peixes no local (Darwin, 1846). A marcante grande presença da macroalga frondosa Caulerpa racemosa cria uma tridimensionalidade junto ao fundo que propicia uma das estratégias de predação do peixe trombeta (Aulostomus strigosus), que é uma típica espécie do local, sendo constantemente observada camuflada para atacar em meio às algas (Feitoza et al., 2003).
As quatro maiores ilhas são Belmonte, São Pedro, São Paulo e Barão de Teffé, as quais formam uma enseada que alcança 20 m de profundidade máxima, assim como paredões verticais que se estendem abaixo dos 60 m de profundidade. A flora marinha da APA do ASPSP desenvolve-se neste cenário de águas transparentes, quentes e sob alta incidência luminosa da região equatorial, em uma posição biogeográfica extremamente relevante. Além das singularidades geográficas, a região está sob influência da Corrente Sul Equatorial, com deriva para oeste entre 0-40 m de profundidade, e da Subcorrente Equatorial, fluindo para leste entre 40-150 m de profundidade (Bowen, 1966; Edwards & Lubbock, 1983; Magalhães et al., 2015). Apesar disto, esta flora é considerada ainda pouco estudada em relação a outras UCs brasileiras, tendo como principais esforços os inventários da Universidade Federal Rural de Pernambuco e do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio Janeiro. A principal lacuna está no registro de espécies em Coleções Científicas, algo ainda incipiente frente à relevância da região para a biodiversidade marinha. O presente inventário busca sistematizar os dados e informações sobre esta flora, incluindo 66 espécies de macroalgas: 45 Rhodophyta, 13 Chlorophyta e 8 Ochrophyta. Este resultado representa um aumento de 28 espécies (42%) em relação ao último inventário publicado (Villaça et al., 2006). No entanto, observamos a necessidade de transpor um problema grave detectado: a falta de material testemunho de 39 táxons nos Herbários nacionais (i.e., sem exemplares/vouchers depositados; detalhes na Lista em anexo).
O CNPq concedeu bolsas de Produtividade em Pesquisa (JMC Nunes) e de Pós-Doutorado Sênior (CS Karez) e de Iniciação Científica (CC Silva) que contribuíram para elaboração das lista das macroalgas em UCs.
Lista de macroalgas marinhas identificadas para a APA do Arquipélago de São Pedro e São Paulo mas sem registro em herbário.
| Filo | Familia | Gênero | Epíteto específico |
|---|---|---|---|
| Chlorophyta | Boodleaceae | Struvea | elegans |
| Chlorophyta | Bryopsidaceae | Bryopsis | plumosa |
| Chlorophyta | Caulerpaceae | Caulerpa | mexicana |
| Chlorophyta | Caulerpaceae | Caulerpa | verticillata |
| Chlorophyta | Cladophoraceae | Chaetomorpha | antennina |
| Chlorophyta | Valoniaceae | Valonia | macrophysa |
| Ochrophyta | Acinetosporaceae | Asterocladon | rhodochortonoides |
| Ochrophyta | Acinetosporaceae | Feldmannia | irregularis |
| Ochrophyta | Bachelotiaceae | Bachelotia | antillarum |
| Rhodophyta | Bonnemaisoniaceae | Asparagopsis | taxiformis |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Antithamnion | antillanum |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Centroceras | gasparrinii |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Ceramium | luetzelburgii |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Gayliella | dawsonii |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Pseudoceramium | caraibicum |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Pseudoceramium | tenerrimum |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Stirkia | vagans |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Yoneshiguea | affinis |
| Rhodophyta | Ceramiaceae | Yoneshiguea | compta |
| Rhodophyta | Champiaceae | Champia | vieillardii |
| Rhodophyta | Corallinaceae | Jania | capillacea |
| Rhodophyta | Corallinaceae | Jania | cubensis |
| Rhodophyta | Corallinaceae | Jania | pedunculata var. adhaerens |
| Rhodophyta | Corallinaceae | Jania | prolifera |
| Rhodophyta | Corallinaceae | Jania | pumila |
| Rhodophyta | Corallinaceae | Jania | rubens |
| Rhodophyta | Corallinaceae | Pneophyllum | fragile |
| Rhodophyta | Erythrotrichiaceae | Sahlingia | subintegra |
| Rhodophyta | Kallymeniaceae | Kallymenia | limminghei |
| Rhodophyta | Lithophyllaceae | Amphiroa | beauvoisii |
| Rhodophyta | Rhodomelaceae | Carradoriella | denudata |
| Rhodophyta | Rhodomelaceae | Heterosiphonia | crispella |
| Rhodophyta | Rhodomelaceae | Laurencia | dendroidea |
| Rhodophyta | Rhodomelaceae | Melanothamnus | ferulaceus |
| Rhodophyta | Rhodomelaceae | Polysiphonia | sertularioides |
| Rhodophyta | Rhodomelaceae | Polysiphonia | subtilissima |
| Rhodophyta | Rhodymeniaceae | Botryocladia | wynnei |
| Rhodophyta | Stylonemataceae | Stylonema | alsidii |
| Rhodophyta | Wrangeliaceae | Anotrichium | tenue |