Reserva Biológica do Uatumã
A Reserva Biológica do Uatumã (REBIO Uatumã) possui cerca de 900 mil hectares e está localizada na Amazônia Central, compreendendo trechos dos municípios de Presidente Figueiredo, São Sebastião do Uatumã e Urucará. Foi criada por meio do Decreto nº 99.277, de 6 de junho de 1990, como forma de ação compensatória aos impactos ambientais causados pela construção da Usina Hidrelétrica de Balbina em 1987. O clima é classificado como tropical úmido, quente e chuvoso. A precipitação média anual atinge 2.376 mm, com uma estação chuvosa de novembro a maio e uma estação seca de junho a outubro. As temperaturas permanecem estáveis em torno de 28°C ao longo do ano.
A REBIO está localizada na margem esquerda do reservatório da Usina Hidrelétrica de Balbina, em uma zona de transição entre a Amazônia Central e o Planalto das Guianas. A área inundada pela formação do reservatório tem aproximadamente 2.360 km², com comprimento e largura máxima de 155 e 75 km, respectivamente. A vegetação predominante é a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas e Submontana, também conhecidas como Floresta de Terra Firme (não inundável), com grande presença de solos com afloramentos rochosos conhecidos localmente como "pedrais". Florestas alagáveis sujeitas a pulsos de inundação são hoje limitadas á áreas a montante dos afluentes do rio Uatumã em razão do enchimento do reservatório de Balbina, que encobriu áreas que outrora eram ocupadas pelos igapós. Devido à baixa profundidade média do reservatório e a inundação sem a supressão da vegetação, a maior parte da floresta na área inundada permaneceu acima do nível da água, resultando em uma paisagem composta por troncos de árvores mortas emergentes, conhecidas localmente como cacaia ou paliteiro. Manchas de vegetação sobre areia branca (campinaranas) ocorrem na porção sul da REBIO.
A área que corresponde em parte à REBIO Uatumã tem um histórico de coleções botânicas que se iniciaram no final da década de 70, e que passou por um aumento substancial durante a década de 80, por conta da construção da hidrelétrica. Desse período destacam-se as coletas feitas por Carlos Alberto Cid Ferreira e Willian W. Thomas. Nos anos de 2006 a 2008, houve um outro pico de coletas resultantes do projeto Flora de Uatumã, lideradas por José E.L.S. Ribeiro, Charles E. Zartman, Jefferson G. Carvalho-Sobrinho e Sérgio Sakagawa. Somadas a outras expedições pontuais mais recentes, cerca de 5000 espécimes oriundos da REBIO são encontrados em vários herbários, sobretudo no INPA. Apesar da considerável quantidade de espécimes coletados, poucos trabalhos florísticos foram publicados. Dentre eles, pode-se citar os guias de identificação para Samambaias e Licófitas, Marantaceae e Zingiberales. Mais recentemente, estudos taxonômicos foram retomados, gerando o tratamento taxonômico de Melastomataceae e Fabaceae, e novas espécies de plantas que ocorrem ou são restritas à REBIO Uatumã tem sido descritas. Além disso, a REBIO conta com um grid de amostragem do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio).