Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil

Sobre a Unidade de Conservação

O Parque Estadual Paulo César Vinha (PEPCV) foi criado pelo decreto nº 2.993-N de 1990, com a denominação inicial de Parque de Setiba. Por meio da Lei nº 4.903 de 1994, seu nome foi alterado para Parque Estadual Paulo César Vinha, uma homenagem ao biólogo Paulo César Vinha, morto em 1993 por atuar contra a extração de areia na região. Compreende uma planície litorânea de aproximadamente 1.500 ha, no município de Guarapari, litoral sul do Espírito Santo, situado entre as coordenadas geográficas 20°33’-20°38’S e 40°23’-40°26’W, possuindo 12 km de praias e três lagoas: Lagoa Feia, Lagoa Vermelha e Lagoa de Caraís. O clima da região, segundo classificação de Koeppen, é do tipo Aw tropical, com temperatura média anual de 24 a 26°C e com a precipitação média anual de 1.160mm. A vegetação é composta por restinga, podendo ser identificados nove tipos de formações vegetais (arbustiva aberta não-inundável, arbustiva aberta inundável, arbustiva fechada não-inundável, florestal inundável, florestal inundada, florestal não-inundável, herbácea não-inundável, herbácea inundável e herbácea inundada), somada a uma pequena porção de vegetação de afloramento rochoso que juntas proporcionam a ocorrência de uma flora rica, com mais de 680 espécies de plantas listadas até o momento (45,5% da flora fanerogâmica das restingas capixabas). Essa riqueza de paisagens torna esta área protegida como a detentora do maior número de formações vegetais descritas para restinga no estado do Espírito Santo. Esse rico cenário foi o gatilho ideal para que pesquisas envolvendo a vegetação do parque fossem iniciadas na década de 1980, incluindo estudos ecológicos e taxonômicos. No entanto, nenhum estudo compilou a lista florística desta unidade de conservação. Grande parte da riqueza encontrada até agora é concentrada na formação florestal não inundável, resultado coerente com a disponibilidade superior de nichos, em relação as outras formações vegetais. Adicionalmente, a esta representatividade, a área ainda abriga 21 espécies da flora ameaçadas de extinção, segundo o Livro Vermelho da Flora do Brasil, como Cattleya harrisoniana, Heteropterys oberdanii, Melocactus violaceus e Chrysophyllum januariense, além de oito espécies endêmicas do Espírito Santo. A conservação de suas formações vegetais e espécies chave é essencial para a manutenção da última restinga ainda preservada próxima dos afloramentos do cristalino, onde as florestas de encosta sobressaem como fonte essencial para estudos comparativos que atestem a contribuição destes ecossistemas adjacentes às restingas neste trecho do litoral capixaba.