Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil

Sobre a Unidade de Conservação

A Estação Ecológica de Maracá (EEM) é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral localizada no estado de Roraima e criada através de Decreto Federal nº 86.061 de junho de 1981. Possui uma área de 101.312 ha e está completamente inserida no Domínio Amazônico, nos municípios de Amajari e Alto Alegre e distante cerca de 100 km da capital Boa Vista. A EEM abrange ilhas e ilhotas do Rio Uraricoera, sendo a maior delas a ilha de Maracá, entre os Furos de Santa Rosa e Maracá – o que dá nome à UC. Do ponto de vista da vegetação, a EEM conta com um mosaico de tipos de florestas ombrófilas e sazonais, com florestas ombrófilas densas sub-montanas na sua porção oeste, florestas ombrófilas densas montanas na parte central e no eixo norte-sul, até floresta estacional semidecidual a leste. Também possui áreas de savanas amazônicas, veredas e vegetação sobre afloramentos rochosos.

A EEM é uma das UC’s com maior número de registros botânicos na Amazônia Legal e possui diversos trabalhos publicados sobre estrutura e composição florística de sua vegetação. As primeiras coletas na área datam de pelo menos o início do século XX, mas grande parte das expedições são da segunda metade do século XX, destacando-se aquelas coordenadas por botânicos como John J. Wurdack, William Milliken, James A. Ratter e Gwilym P. Lewis, grande parte associados ao Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, que financiou muitas expedições de coleta nesta e em diversas áreas do Brasil. Essas expedições, e outras subsequentes realizadas por botânicos brasileiros e estrangeiros, acumularam ao menos 17.294 materiais botânicos depositados nas coleções de herbários nacionais e internacionais, grande parte disponível online em repositórios de dados para consulta pública. Cerca de 72% dessas coletas estão identificadas até o nível específico, o que resultou em uma lista com 1.120 espécies de plantas vasculares (41 spp. samambaias e licófitas e 1.079 spp. angiospermas). Essas espécies representam, respectivamente, 21% das samambaias e licófitas e 31% das angiospermas catalogadas para o estado segundo a Flora do Brasil 2020. Cerca de 210 espécies registradas nesta lista não constam na Flora do Brasil 2020 como ocorrentes em Roraima e ao menos 40 são registradas apenas neste estado.